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Terceiro mistério glorioso:

A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos

  Vamos dar inicio agora a meditação reparadora dos primeiros sábados, que nos foi indicada por Nossa Senhora, quando apareceu em Fátima no ano de 1917. Pedia Ela que comungássemos, rezássemos um terço, fizéssemos meditação dos mistérios do Rosário e confessássemos em reparação ao seu Sapiencial e Imaculado Coração. Para os que praticassem esta devoção, Ela prometia graças especiais de salvação eterna e a saída do purgatório no primeiro sábado após a morte, para aqueles que para lá tivessem ido.

  Compete-nos hoje, meditarmos sobre o terceiro mistério glorioso: A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos no Cenáculo.

  ¨E quando se completaram os dias de Pentecostes, estavam todos juntos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E apareceu-lhes repartidas umas como línguas de fogo, e pousou sobre cada um deles. E foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

  Ora estavam então  residindo em Jerusalém Judeus, homens religiosos de todos as nações que há debaixo do céu. E logo que correu esta voz, acudiu muita gente, e ficou pasmada, porque cada um ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, todos atônitos, e admiravam-se, dizendo: Porventura não são galileus todos estes que falam? E, como é que os ouvimos falar cada um de nós a nossa língua, a do país em que nascemos? Partos , e Medos, e Elamitas, e os que habitam a Mesopotâmia, a Judéia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia, a Frigia e a Panfília, o Egito e as várias partes da Líbia, que é vizinha de Cirene, e os vindos de Roma, tanto judeu como prosélitos, Cretenses e Árabes; todos os ouvimos falar, nas nossas línguas, das maravilhas de Deus. E estavam todos atônitos, e se maravilhavam, dizendo uns para os outros: Que quer isso dizer? Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão embriagados de vinho doce.¨ (At. 2, 1-13)

  Nosso Senhor, havia preparado os Apóstolos e os discípulos, para a grande missão de difundir o Evangelho pelo mundo. Imaginemos o maior dos professores, o mais ilustre, o mais sábio, o mais capaz que a história possa ter conhecido, não se compararia com Nosso Senhor, pois, Ele além de ser o maior dos mestres, é acima de tudo Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus encarnado, o Homem-Deus, portanto, sua sabedoria é a própria Sabedoria Encarnada. Ele  então preparou os Apóstolos durante três anos, eram em número de 12 e também estavam no Cenáculo mais de 120 discípulos e sobretudo estava com eles, Maria, a mãe de Jesus.

  Com todos esses que Ele escolheu, em relação com o mundo daquele tempo, eram pouquíssimos, entretanto, estavam todos assistidos por uma força especial: a graça de Deus.

  Nosso Senhor tinha-lhes dado a doutrina, tinha dado o poder de perdoar os pecados, o poder de fazer milagres, tinham portanto, todos os elementos para começar a desempenhar a missão dada por Jesus, mas, tinham medo, pois se sentiam insuficientes para a grande obra que o Senhor tinha-lhes confiado. Tendo medo, esperavam um auxílio especial que havia sido prometido pelo próprio Mestre – ¨Era necessário que Ele fosse para que viesse o Espírito¨ - Era o Espírito Santo que descendo sobre suas pessoas, daria as forças necessárias para cumprir a sua missão.

  Eles encontravam-se recolhidos, em oração. Todos reunidos no mesmo lugar, o Cenáculo, e juntos com Nossa Senhora. Temos então diante de nossos olhos, a Virgem Maria, os Apóstolos, os discípulos a espera do Consolador, a espera Daquele que traria os dons e a força necessária para executarem a imensa obra que tinham diante de si.

 

Oração Inicial

 

  Oh! Mãe Santíssima, Rainha dos Apóstolos, Virgem e Esposa do Divino Espírito Santo. Vós que hoje nos apresentais enquanto sendo a soberana de todo o Universo e estando aqui presente a Vossa imagem Peregrina com o coração aparente, exatamente como o mostrastes em certas circunstâncias aos três pastorzinhos; nos mostrais a Vossa

Sabedoria, a Vossa piedade, o Vosso ardor, o Vosso espírito de oração, o Vosso insondável amor de Deus.

  Oh! Virgem das virgens, ó Mãe das mães, ó Rainha dos Anjos e dos homens, vamos iniciar esta meditação para reparar o Vosso Coração Imaculado e que este possa em determinado memento triunfar plenamente.

  Nós Vos pedimos, Senhora, dai-nos uma fagulha de Vosso amor para bem meditarmos sobre este aspecto de Vossa vida, da vida da Igreja, para assim podermos melhor servir e reparar ao Vosso Imaculado e Sapiencial Coração.

 

Primeiro Ponto

 

¨E quando se completaram os dias de Pentecostes, estavam todos juntos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um estrondo, como de vento que soprava impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E apareceu-lhes repartidas umas como línguas de fogo, e pousou sobre cada um deles. E foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em várias línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. (At.2, 1-4)

  Estavam juntos com a Santíssima Virgem, reunidos em oração, pois, a oração em conjunto tem um valor especial, devido a promessa feita por Nosso Senhor no Evangelho. Eles então rezam, porque sabem que precisam obter graças especiais. Eles sabiam que não alcançariam essas graças pelos próprios méritos, pois de fato eles não os tinham – era já o que tinha sido comprovado durante a Paixão – eles eram fracos e porque tinham bem presente a sua fraqueza, é que rezavam a espera da graça. Rezavam em conjunto (Ainda vos digo que, se dois de vós se unirem entre si sobre a terra a pedir qualquer coisa, esta lhe será concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque onde se acharem dois ou três congregados em meu nome, aí estou eu no meio deles.) Mt. 18, 19 e 20.

  Quanto esta cena que se passa no Cenáculo incentiva a oração em conjunto, a oração em família. Reúne-se o pai, a mãe, os filhos e filhas, os parentes, os empregados para pedirem algo; esta oração tem mais do que aquela feita individualmente. Em nossa comunidade, quando rezamos em conjunto, a força  de impetração é maior do que quando estamos a sós. No Cenáculo, está o exemplo da força da união coletiva, da oração feita conjuntamente e com amor, pois é essa oração que alcança de Deus tudo quanto se pede, sobretudo quanto se trata de benefícios sobrenaturais.

  Mas não nos esqueçamos, estava também presente no Cenáculo, Maria. Ela se uniu a oração dos Apóstolos, Ela que não tinha nenhuma autoridade jurídica, no entanto, lá está a nossa Mãe como Medianeira, para dar força ao pedido deles. Todas as nossas orações devem ser feitas por meio de Maria, todo pedido feito por intermédio Dela, tem muito mais audiência junto ao seu Divino Filho.

  Os Apóstolos sabem perfeitamente qual é a missão que lhes cabe, eles tem medo, não tem forças suficientes para cumpri-la, então o que fazem? Rezam, oram ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo e com a oração se passa isso, à medida que se vai rezando, à medida que se empenha mais em pedir, a Santíssima Trindade, Nossa Senhora, nosso Anjo da guarda vão alimentando o nosso fervor e com isso o desejo de alcançar aquele beneficio vai crescendo cada vez mais. Eles então iam fazendo as suas súplicas no silêncio do recolhimento, com a alma longe das preocupações exteriores e sempre mais implorando aquilo que necessitavam. Aos poucos a piedade, a devoção, o fervor, iam aumentando mais e mais...

  Em determinado momento, dá-se a vinda do Espírito Santo, Ele vem como nos narra o Evangelho; cinqüenta dias depois da Páscoa. (Nosso Senhor passou ainda quarenta dias neste mundo após a Ressurreição, a descida do Espírito Santo deu-se dez dias após a Ascensão).

  Sobre a palavra Pentecoste, a primeira notícia que se tem, é na Escritura, quando em tempos idos, os judeus ofereciam a Deus, cinqüenta dias após a Páscoa as primícias da colheita: trigo, uva, cevada, frutos de todas as espécies, etc.

  Esta festa tinha sido estabelecida por Moises, para lembrar a libertação do povo judeu do cativeiro do Egito. Aí temos a origem da palavra, 50 dias  após a Páscoa, quando da libertação do povo hebreu.

  Nós estamos na nova Páscoa e  50 dias após, a nova Pentecoste, a nova graça trazida pelo Espírito Santo.

   (Na Antiga Lei, Deus mandou que o povo judeu imolasse um cordeiro pela comemoração da libertação de 500 anos de  cativeiro no Egito (Páscoa). Isto era a prefigura do Cordeiro de Deus – Jesus Cristo – comemorado na Nova Lei, que viria para libertar os homens da escravidão do pecado. Cinqüenta dias depois da Páscoa, na festa do oferecimento das primícias da colheita – Pentecoste – deu-se a descida do Espírito Santo).

  Os efeitos da descida do Espírito Santo, são impressionantes. O ruído que vem do céu, um vento impetuoso, significa a plenitude dos dons que Ele vinha trazendo, plenitude tal, que os tornava aptos para as obras de Deus. É o ímpeto do amor que eles recebem, ao mesmo tempo em que se manifesta alí a grandeza de Deus.

  O Espírito Santo desce com seus dons enchendo-os de consolação, enchendo-os de entusiasmo, eles se sentem transformados; é o que Santa Terezinha do Menino Jesus dizia: ¨Que para o amor nada é impossível¨. Eles estavam cheios do amor de Deus, eles que antes temiam diante de tão alta missão que lhes havia sido dada, agora estão cheios de ímpeto, de entusiasmo, ou seja, cheios de Deus.

  O mais característico que convém frisar, são as línguas de fogo. Eles precisavam falar e ela simboliza a facilidade que teriam de se exprimir, de explicar a doutrina de Nosso Senhor, capacidade de proclamar, de ilustrar, de apontar, de ensinar o caminho da salvação.

  Fogo! Nós conhecemos o nosso fogo, é fogo produzido pelo gás, pela lenha, etc. e julgamos que é este o fogo que existe no inferno e tomamos este fogo como uma coisa má, como um fogo que castiga. Só que o fogo do inferno não tem alimentação material, ele é sustentado pelo próprio Deus. O mesmo acontece com o fogo do purgatório, são fogos que castigam. Mas o fogo da terra pode ser útil, pois o que seria de nós se não tivéssemos o fogo em nossas vidas, como iríamos fazer as nossas refeições? Por isso julgamos que no céu na há fogo. Equivoco, o céu leva propriamente o nome de empírio. ¨Pirio¨ vem da palavra grega ¨piro¨, que quer dizer fogo e por isso batizamos os fogos de artifício com o nome de fogos pirotécnicos, que significa a técnica do fogo. Não há quem não admire a beleza dos fogos de artifício.

  Dizem os teólogos que o fogo do céu é todo belo, benfazejo, fará bem a nossa pele quando ressuscitarmos, é um fogo rejuvenescedor, é um fogo extraordinariamente caridoso que nos beneficiará, no céu ele perfumado.

  Essas línguas de fogo que desceram sobre os Apóstolos é fogo vindo do céu, portanto altamente benfazejas, elas simbolizam a facilidade da palavra, o encanto, o entusiasmo, o fervor que eles deveriam ter para converter os povos.

  ¨Foram todos cheios do Espírito Santo...¨ Se pegarmos uma taça, um cálice, uma jarra, um tonel e enchêssemos com alguma substancia, não diríamos que uns tem a mesma quantidade que os outros. Por exemplo, Nossa Senhora recebeu neste momento a plenitude de todas as graças para ser a medianeira junto aos homens, para ser a Rainha dos Apóstolos e executar a missão que tinha junto a estes. Os Apóstolos, recebeu cada um tudo o que era preciso para cumprir a respectiva missão.

  As manifestações foram impressionantes, era uma manhã e os Apóstolos se dirigiram para o Templo que estava repleto de gente, e alí começaram a falar, e diz a Escritura, que as pessoas presentes ouvia-os falar em seu respectivo idioma. Milagre espetacular!

 

Segundo Ponto

  Acontecimento impressionante, uns ficam maravilhados porque se sentem arrebatados, outros no entanto, debocham dos Apóstolos. Quer dizer, para alguns o fenômeno representa a salvação, para outros, a condenação e isso num mesmo ato.

  Nos diz as Escrituras que alguns ficaram maravilhados ouvindo aquele ruído que reuniu muita gente. ¨E logo que correu esta voz, acudiu muita gente, e ficou pasmada, porque cada um ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, todos atônitos, e admiravam-se, dizendo: Porventura não são galileus todos estes que falam? E, como é que os ouvimos falar cada um de nós a nossa língua, a do país em que nascemos? Partos  e Medos, e Elamitas...¨. Estavam todos atônitos sem saber o que pensar, contudo, outros diziam: ¨Estão embriagados de vinho doce¨.

  Alguns se converteram, e não foram poucos, nada mais, nada menos que três mil pessoas foram batizadas naquele dia, resultado de um sermão lindíssimo feito por São Pedro. A Igreja nasce com três mil conversões neste dia de Pentecoste.

  Que plenitude de graças desceu sobre os Apóstolos, sobre os discípulos e sobretudo sobre a alma de Nossa Senhora, que mudanças começou a se realizar depois destes acontecimentos.Este é o mistério que deve nos encantar no dia de hoje para assim podermos reparar o Imaculado e Sapiencial Coração de Maria.

  Vemos que nos nossos dias a maldade vai fazendo progressos assustadores, e por isso devemos implorar, insistir, para que de uma forma inesperada, desça o Espírito Santo novamente. Precisamos de uma nova Pentecoste, precisamos da restauração de  todas as coisas e de toda a Ordem, nós precisamos da renovação da face da terra – ¨Emitte Spiritum tuum et creabúntur, et ronovábis faciem terrae¨ – enviai Senhor o vosso Espírito Criador e toda a face da terra será renovada. Nós precisamos disso.

  O mundo está por todos os lados atravessado por crises, o mundo se encontra neste momento em guerras, terrorismo, violências de toda a ordem, e pior ainda, vai-se aceitando e estabelecendo por todos as partes o costume do nudismo, o despir-se inteiramente como forma de protesto. Nos Estados Unidos, esta semana, uma manifestação contra o presidente, jovens retiraram suas roupas em público com toda a naturalidade. Em Barcelona (Espanha), se promulgou como um direito as pessoas se despirem. Em Bogotá (Colômbia), é aceito o nudismo como uma forma de protesto. Ou seja, é o nudismo que vai entrando e quando essas manifestações se apresentam, é evidente que ninguém segura, elas vão crescer, vão se tornar  avassaladoras, o que constitui uma imensa ofensa a Deus.

  Não é sem razão que furacões começam a varrer esta ou aquela região do planeta. Mas não é só, na Rússia, crime horrível, verdadeira barbárie que se comete com a matança de mais de 200 crianças por motivos políticos.

  O mundo esqueceu de Deus, o mundo está ateu; alguns chegam a duvidar das profecias feitas por Nossa Senhora em Fátima. Não é preciso profecias, não foi porque Noé recebeu a revelação de Deus que houve o Dilúvio, este veio por causa dos pecados da humanidade.

  Há uma Ordem posta por Deus na criação e esta não pode ser violada. Se os homens se despirem, queiram ou não queiram, haja ou não haja profecias, Deus intervirá. Pois, Ele não pode permitir que se pratique um pecado tão brutal como este. Ou  existe Deus e há uma intervenção, ou não existe... e aí de que vale existir uma humanidade se não existe Deus?

  Se a humanidade não se converter e se continuarem a caminhar para o pecado e para o crime como tem caminhado, nós devemos esperar uma manifestação de Deus nos acontecimentos, com ou sem profecia, pois, o que importa é a Ordem estabelecida por Ele.

 

Oração Final

 

  Vamos nos voltar para Nossa Senhora, que apareceu em Fátima advertindo os homens e pedindo que rezasse o terço todos os dias, que fizesse penitência. Nós sabemos bem o quanto não estamos em ordem, e a conseqüência é a falta da paz interior. Quando a consciência está abalada pelo pecado, fica-se normalmente agitado por causa da aflição. Assim também o mundo, se não está com Deus, e pior ainda, se está contra Deus, deve-se esperar a falta de paz, e é daí que nascem as guerras, que surgem os crimes, os atos de terrorismo, daí desabrocha toda forma de mal. E o que é preciso para se ter a paz? É preciso retornar para Deus.

  Nesta circunstância,  nos dirigimos à Rainha da Paz, à Rainha dos Corações, nossa Mãe celeste toda feita de amor de Deus.

  Oh! Virgem Santíssima, nesta meditação da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, vimos que tivestes um papel fundamental, Vós fostes Aquela que enquanto Medianeira obteve de Deus esta vinda da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, vinda tão magnífica que transformou inteiramente os Apóstolos, transformou os discípulos e deu início a Cristandade, deu início a Santa Igreja. Contudo, Senhora, nos encontramos hoje numa situação ainda pior do que a daqueles tempos – e contemplando este mistério do Santo Rosário, nos voltamos para Vós e pedimos: Enviai de novo o Espírito Santo, Vós sois a sua Esposa, tudo quanto pedis sois atendida. Ó Mãe, assim como no Cenáculo pedistes a vinda de Vosso Divino Esposo e Ele veio, pedi também agora que Ele venha e converta a humanidade tão pecadora, e assim podermos cantar e proclamar cheios de júbilo, o cântico de Vosso triunfo: Vosso Coração Imaculado triunfou!

Assim seja.

 

OBS: Homilia adaptada à linguagem escrita, publicada sem conhecimento e/ou revisão do autor.

 

 

Pe. João Clá Dias

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