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Meditação do Segundo Mistério Luminoso

A Realização do primeiro milagre de Jesus, transformando a água em vinho, nas Bodas de Caná.

Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo. 2, 5)

Mas tu guardaste o melhor vinho até agora (Jo. 2, 10)

Mons. João S. Clá Dias

Vamos dar inicio a meditação reparadora dos primeiros sábados, que nos foi pedida por Nossa Senhora, quando apareceu em Fátima (1917)

Pedia Ela que comungássemos, rezássemos um terço, fizéssemos meditação dos mistérios do Rosário e confessássemos em reparação ao seu
Sapiencial e Imaculado Coração. Para os que praticassem esta devoção, Ela prometia graças especiais de salvação eterna.

Ave Maria,...

Intodução: O mês de outubro é o mês do Rosário; convidamos aos fiéis a unirem-se ao Papa Bento XVI, que rezou o Santo Rosário no Primeiro Sábado do mês de maio último, na maravilhosa Basílica Papal de Santa Maria Maior, a convite do Cardeal Bernard Francis Law.

Assim, destacou o Papa Bento XVI: “O Santo Rosário não é uma prática de piedade do passado,...

Ao contrário, o Rosário está conhecendo quase uma nova primavera”.

“No mundo atual, tão dispersivo, esta oração ajuda a colocar Cristo no centro, como fazia a Virgem, ...

O Rosário, quando rezado de modo autêntico, não mecânico nem superficial, mas profundo, de fato dá paz e reconciliação. A todos vós aqui reunidos, concedo de coração a Bênção Apostólica”.(1)

Oração inicial:

Virgem Santíssima, Mãe da Divina Graça, nós Vos pedimos que useis de vosso poder de intercessão infalível, junto ao Vosso Divino Filho para nos obter graças superabundantes, eficazes e até místicas, a fim de realizar bem esta meditação sobre o belo acontecimento das Bodas de Caná.

Os homens não querem ver os pecados que estão sendo praticados em toda a parte, pois voltaram às costas para a lei de Deus. Eles já não têm mais a noção clara a respeito da beleza e grandeza do matrimônio, que tão significativamente se realizou em Caná da Galiléia.

Suplicamos, ó Senhora, que estejais bem junto de nós, neste momentos em que vamos reparar dignamente o Vosso Sapiencial e Imaculado Coração. Assim seja!

I – Maria preocupada com seus filhos!

Vamos percorrer um pouco por este acontecimento maravilhoso, que foi o primeiro milagre de Jesus. Por quê Ele escolheu, nada mais nada menos, do que uma festa de casamento para realizar o seu primeiro milagre? Por quê? Porque Ele queria santificar o casamento, e mais ainda, Ele sabia desde toda a eternidade, em sua infinita sabedoria, que o casamento é a base da sociedade.

Uma árvore será forte, vigorosa, frondosa, alta, na medida que tenha boa raiz, pois, se não for assim o vento a derruba ; portanto, para que uma árvore resista aos ventos é preciso que esteja bem enraizada ao solo.

A sociedade tem também uma raiz, tem os seus fundamentos, na família. E foi por isso que Jesus quis neste casamento fazer seu primeiríssimo milagre; antecipando o momento de dar início a enorme fileira destes mesmos milagres. E isso, por quê? Porque neste casamento estava Maria. A convidada por excelência era Ela.

Caná era uma cidade de maior tamanho e influência que Nazaré. Nossa Senhora tinha ali muitos conhecidos, pessoas amigas e estas tinham para com Ela muita veneração e convidaram-Na a estar nas bodas. Maria se encontrava lá quando chegaram Jesus e seus discípulos; bem se pode imaginar a emoção da Santíssima Virgem ao conhecer os primeiros seguidores de seu Filho! Certamente Ela os tratou, logo de início, com um carinho maternal todo feito de amor. Ali começou a se tornar claro sua proteção especial por aqueles que resolvem se entregar a Nosso Senhor Jesus Cristo.

1 – Ainda não havia chegado a hora dos milagres...

Nossa Senhora vai ter um papel extraordinário nesse casamento; Ela vai promover e antecipar o primeiro milagre de seu Divino Filho e será um milagre com característica toda especial.

Jesus vai multiplicar os pães e os peixes por duas vezes, vai anda sobre as águas, vai ressuscitar pessoas, vai curar leprosos, surdo-mudos, cegos, são todas curas necessárias. A multiplicação dos pães e dos peixes, por exemplo, se Ele não fizesse esses milagres, o povo não teria o que comer passaria fome, ou seja, havia uma necessidade. Mas nessa festa, pelo contrário, não havia uma necessidade: uma vez que acabado o vinho era só comunicar; causaria uma certa tristeza, haveria uma alguma decepção, mas a festa estaria concluída.

Nossa Senhora com uma delicadeza maternal extraordinária, percebendo a situação crítica resolveu ajudar. Ela promove este milagre para que a alegria que estavam tendo os noivos e os convidados se perpetuasse, e que não houvesse nenhuma decepção.

Aplicação: isso é para nós um consolo enorme, pois vemos por esse gesto, o quanto Ela se preocupa com seus filhos e o quanto sua atenção está voltada para cada um de nós. Ela vem ao nosso encontro para nos socorrer, amparar, proteger e auxiliar, manifestando desta forma o quanto é Ela verdadeiramente Mãe bondosíssima.

Glória a Vós, alegria dos justos; conduzi-nos convosco às alegrias do Céu

2 – A verdadeira alegria desejada por Maria.

O que queria Nossa Senhora com este gesto? – A Alegria!

A nossa Religião Católica, Apostólica e Romana é uma religião alegre, é cheia de entusiasmo. Ela é tão grande, tão cheia de benefícios, tão cheia da presença de Deus, que quando somos verdadeiramente católicos, somos alegres. Por isso que Nossa Senhora quis prolongar a alegria daquela festa de matrimônio.

No que consiste a verdadeira alegria desejada por Maria nas Bodas de Caná?  A verdadeira alegria só possuem, as consciências tranqüilas; é impossível ser inteiramente alegre com a consciência pesada.

uem se encontra em estado de pecado mortal, não pode ter a verdadeira alegria;esta é reservada aos filhos de Deus que se encontram em Sua graça. Aí está o que consiste a verdadeira alegria. Nossa Senhora não quis que faltasse o vinho na festa, porque naquele ambiente reinava essa verdadeira alegria.

II – A causa da verdadeira alegria.

A grande maravilha que se nota nas bodas de Caná, além da prestigiosa presença de Jesus –o centro de todas as atenções da festa - Maria e os discípulos, é o empenho que certamente tinham os noivos de tomarem um rumo real e normal de um matrimônio honesto, digno, santo. Os noivos se unem com a idéia exata de que devem trabalhar para santificar o outro; terem, sobretudo os filhos que Deus enviar e educá-los também nas vias da santidade.

Santidade! Esta é a cauda da verdadeira alegria. Ser verdadeiramente santo é o que torna uma pessoa alegre; quem foge da santidade, quem foge da graça de Deus não pode ter a posse da verdadeira alegria.

1 - Um erro: a santidade é só para o religioso que faz voto de castidade.

Muitos têm uma idéia errada de que a santidade é um caminho reservado aos religiosos; para os que fizeram os votos de obediência, pobreza e castidade – claro! – tem que ser santo! Mas aqueles que estão na sociedade e escolheram a via do matrimônio, não precisam desejar a santidade para si. Basta, de vez enquanto, dar uma passadinha pela igreja, uma missa muito rápida aos domingos e pronto, nada mais... Não é verdade!

Todo batizado é chamado a ser santo. O chamado à santidade, de forma extraordinária, tem o que segue as vias da religião pelos votos. Mas, de forma comum, são chamados à santidade todos aqueles que vivem na sociedade e que tenham constituído família: pai, mãe e filhos, dentro da sociedade, são chamados à perfeição. Tanto é assim que Deus dá a inclinação para o casamento a todos; aos que vivem na sociedade, quanto aos seguem uma vida religiosa.

Um esclarecimento: todos os que estão na vida religiosa, apesar de possuírem esta inclinação natural, fazem uma renuncia voluntária de constituírem família, para assim melhor servir a Deus. Claro está que quem fica na sociedade não necessita fazer esta renuncia, segue as vias do matrimônio. Ora, como todos são chamados à santidade, os que fazem os votos e os que não o fazem, seguindo as vias do casamento: todos, portanto, estão chamados à perfeição.

Entretanto, a castidade deve ser praticada tanto pelos religiosos, quanto pelos que se casam, porque é uma virtude que está ligada a dois mandamentos da lei de Deus: o 6º e o 9º mandamentos.

2 – O verdadeiro sentido do casamento.

O casamento que se realizou em Caná tem algo daquele feito por Nossa Senhora com São José, pois ela também se casou.Infelizmente o mundo moderno vai perdendo a noção do verdadeiro sentido do casamento, julga-se cada vez mais que o objetivo deste é a fruição e esta, fora dos padrões que a moral permite. Quem casa não deve pensar que viverá em eterna delícia. Todo casal terá suas cruzes que virão inevitavelmente ao longo da vida de todos os dias. Ambos devem aceitar essas cruzes em vista da perfeita união e harmonia da família e a educação e santificação dos filhos, que é o objeto principal de todo casamento.

Por outro lado, o casal julga que o respeito mútuo não deve existir. Não é verdade. A vida conjugal exige respeito igual a que se tem por uma outra qualquer pessoa. Quantos erros a respeito do casamento existem hoje em dia! Tem-se a impressão que já se perdeu a noção de que ele foi estabelecido por Deus e é querido por Ele para se constituir a base de uma sociedade sadia. Portanto, estabelecido com a finalidade de apoio mútuo e educar os filhos na religião e nas vias da perfeição. Mas o que vemos nos dias de hoje? Vai-se substituindo o casamento por ajuntamento, por uniões muitas vezes ilegítimas e com isso, vão-se diluindo cada vez mais as bases da sociedade.

Deus não pode estar contente com esta propaganda que vem pela televisão, pelo rádio, cinema, internet que destrói a família! Vamos pedir que Ele aceite a nossa meditação sobre a beleza do casamento bem constituído e para repararmos o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria devido a tantos pecados que são cometidos por causa da concepção errada a respeito do matrimônio.

III – O melhor vinho da História.

Conta-nos o Evangelho que nas bodas de Caná, Nossa Senhora percebendo a situação aflitiva dos noivos, dirige-se a seu Filho: “Não têm mais vinho”. Ele fita-a com muito carinho e afeto, tratando-A com a suma linguagem de respeito para aquele tempo: “Mulher, que nos importa a mim e a ti isso? Ainda não chegou a minha hora!”. Mas, apesar de tal resposta, Maria diz aos criados: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Jesus não pode deixar de atender a súplica de sua Mãe: eis que a água transforma-se num vinho extraordinário, dando origem a comentários: “Mas, então?! Foi deixado para o fim este vinho tão precioso, tão delicioso?”.

Hoje em dia a humanidade encontra-se numa situação semelhante à do anfitrião nas bodas de Caná. Falta o vinho precioso da virtude, do juízo, da sabedoria, de modo tal que não há um recanto da terra do qual se possa dizer com certeza: “Este povo vive na graça de Deus”.

Precisamente nessa hora de angústia, Nossa Senhora intervém para rogar por nós ao seu Divino Filho: “Eles não têm graças superabundantes para se converterem e mudar de vida. Enviai-lhas e transformai-os”.(2)

E Nossa Senhora que conquista o vinho novo, mas o que virá é o melhor vinho de toda a História! Que Ela nos transforme, nos santifique!!

Oração Final:

Ó Mãe Santíssima, a Vós entregamos esta meditação e Vos pedimos a graça de uma consciência clara e uma vontade inteiramente pura e enérgica, no sentido de sermos inteiramente fiéis, quer nas vias da religião, quer nas do matrimônio, a esta virtude que transparece em Vosso semblante: castidade!

Dai-nos, ó Mãe, a graça de sermos puros como os Anjos e santos que estão no céu e isso, quer seja dentro do casamento, quer numa vida religiosa; que entreguemos o nosso corpo e nossa alma para ser como Vós sois: Casta. Mãe Castíssima, fazei de nós pessoas puras e inocentes, afastadas de todo e qualquer pecado e que sejamos tão puros como foram tantos santos e santas.

E assim, tendo vencido todas as lutas e tentações de nossas vidas, por meio de Vossa graça, encontremos Vosso olhar maternal e sorridente; abraçando-nos na entrada do céu e dizendo-nos: Vinde meu filho, vinde minha filha, eu vou mostrar o lugar que lhes preparei por terdes aceitado as graças que a vós foram concedidas ao longo de suas vidas, na linha da pureza e da castidade.

Assim seja!

Texto sem revisão do autor.

Pe. João Clá Dias

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