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Comentário ao Evangelho do XVII domingo do tempo comum

O poder da oração pertinaz!

”Com insuperável beleza literária, neste domingo, Jesus não só nos ensina a bem rezar, como nos indica os meios de tornar infalível nossa oração, incentivando-nos a uma confiança sem limites em suas divinas palavras”.

Pe. João Clá Dias

Evangelho

1 - Estando Ele a fazer oração em certo lugar, quando acabou, um dos seus discípulos disse-Lhe: “Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos”.

2 - Ele respondeu-lhes: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3 - O pão nosso de cada dia dá-nos hoje; 4 - perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos os que nos ofendem; e não nos deixes cair em tentação”.

5 - Disse-lhes mais: “Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, 6 - porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar; 7 - e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados — não me posso levantar para tos dar. 8 - Digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar. 9 - Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 - Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá.

11 - “Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? 12 - Ou, se lhe pedir um ovo, porventura, dar-lhe-á um escorpião? 13 - Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem” ( Lc 11, 1-13).

I — A oração - de Jesus

Jesus ora ao Pai enquanto homem

Um grande mistério e divino exemplo eram as orações de Jesus ao Pai. Como explicar a atitude do Homem-Deus rogando ao Pai por tantas intenções, se Ele mesmo é onipotente e, sobretudo, sendo Eles iguais entre Si? Não parece um tanto contraditório Deus pedir a Deus um auxílio para Si próprio? Não seria mais adequado Ele diretamente tornar efetivos seus anseios, ao invés de orar?

Essas dúvidas e muitas outras se desfarão se meditarmos sobre um comentário feito pelo santo Patriarca Hesíquio de Jerusalém (1). Diz-nos este autor que, desde toda eternidade, o Filho desejava poder dirigir-se ao Pai enquanto inferior, mas era-Lhe impossível realizá-lo, pois, segundo nos explica a Teologia com base na Revelação, as Pessoas da Santíssima Trindade são iguais entre Si. Por sua vez, também o Pai desejava doar algo ao Filho, mas através de que meio, se Eles são idênticos?

Maria resolveu essa questão com o seu “fiat”, permitindo ao Filho fazer-Se Homem. Era de dentro de sua natureza humana que Jesus elevava sua mente a Deus e exprimia os desejos de seu Sagrado Coração, rogando fossem eles concretizados. Ou seja, nunca Jesus rezou enquanto Deus — e nem teria sentido, aliás, Ele assim proceder — mas sempre o fez como homem, pois sabia que certas graças não seriam jamais obtidas senão por meio de seus pedidos, por isso “Ele andava retirado pelas solidões e a orar” (Lc 5, 16).

Exemplo insuperável de oração

Jesus foi para nós um exemplo insuperável da realização de seu próprio conselho: Oportet semper orare et non deficere — “Importa orar sempre e não deixar de o fazer” (Lc 18, 1). É preciso rezar como se respira, e portanto, em nenhum momento perder o fôlego nem o ânimo. A oração unida à de Jesus e feita por sua intercessão, é infalível: “Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu nome, Ele vo-la dará” (Jo 16, 23).

Se assim é, pode nossa oração ser realizada sempre de maneira incondicional? Não, os bens temporais, na medida de sua utilidade para nossa salvação, devem ser pedidos segundo a vontade de Deus. Nosso Senhor também a esse respeito nos deu exemplo, ao rogar: “Meu Pai, se é possível, que passe de Mim este cálice! Todavia, não se faça como Eu quero, mas sim como Tu queres” (Mt 26, 39). Ele havia por diversas vezes anunciado sua própria morte e até mesmo a forma de suplício pela qual passaria, e claramente sabia também que seu pedido não seria atendido. Entretanto, com toda antecedência, Ele externou esse anseio para deixar-nos claro o quanto é legítimo exprimirmos nossa dor, manifestando o desejo de que ela termine, mas sempre em conformidade com a vontade de Deus.

A oração infalível de Jesus sacerdote

Haverá orações que devem ser incondicionais?

Sim, as graças claramente necessárias para a nossa salvação não podem ser pedidas de maneira condicional. Também quanto a essa forma de rezar, deu-nos exemplo Nosso Senhor. E, aqui sim, suas orações proferidas de maneira absoluta, jamais deixaram de ser atendidas, segundo no-lo explica São Tomás de Aquino (2). Por exemplo, ao rezar por Pedro: “Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 32). Foi pelos frutos dessa oração de Jesus que Pedro perseverou, se santificou e chegou ao seu belíssimo martírio. E certamente será por essa mesma causa que o sucessor de Pedro confirma na fé todos os fiéis.

Antes de ressuscitar Lázaro, “levantando os olhos ao Céu, disse: Pai, dou-te graças por me teres ouvido. Eu bem sei que me ouves sempre...” (Jo 11, 41-42). Eis uma pequena amostra do infalível poder da oração de Jesus. E alegremo-nos porque a esse propósito São Tomás de Aquino nos ensina o seguinte: “Como a oração pelos outros provém da caridade, quanto mais perfeita é a caridade dos santos que estão na Pátria, mais rezam por nós, para ajudar-nos em nossa viagem; e quanto mais unidos estão a Deus, mais eficaz é sua oração... Por isto se diz de Cristo: o que ressuscitou .... é quem intercede por nós” (3). Jesus é eternamente Sacerdote, e a principal função do ministério sacerdotal é a de interceder junto a Deus pelo povo a ele confiado; e assim como, no Céu, os Santos, os Anjos e a própria Santíssima Virgem pedem a Deus a aplicação dos méritos da Paixão de Jesus às almas, da mesma forma Ele também continua a rezar por nós. Jesus em corpo e alma salva “perpetuamente os que por Ele se aproximam de Deus” (Hb 7, 25). Que grande esperança e conforto para nós!

Esta introdução nos auxiliará a melhor acompanharmos o Evangelho de hoje.

II — O pai nosso

1 - Estando Ele a fazer oração em certo lugar, quando acabou, um dos seus discípulos disse-Lhe: “Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos”.

Tal qual afirma São Cirilo (4), Jesus demonstra o quanto Lhe é própria a oração e com isso nos ensina como não devemos exercitá-la com preguiça, mas sim com toda piedade e atenção. Entre os discípulos de Jesus, estavam alguns que o haviam sido também de João. Por esta narração de São Lucas, percebe-se o grande valor atribuído por eles às ações do Mestre, reforçado pelo comportamento de seu Precursor a esse respeito. Fundamental é o papel do exemplo. Da admiração a um e a outro nasceu na alma dos discípulos o desejo de bem rezar. Quão grande é a responsabilidade dos que ensinam! Mais eficaz se torna a palavra saída dos lábios de quem é modelo vivo de sua própria didática, pois não basta saber explicar, sobretudo é preciso ser.

2 - Ele respondeu-lhes: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.

São Mateus nos transmite uma forma mais extensa para esta oração dominical (Mt 6, 9-13), criando para alguns autores um problema de critério: seriam duas maneiras diferentes de rezá-la ou uma só? Para uns, a original é a de Lucas e, neste caso, Mateus a teria ampliado. Para outros, ter-se-ia dado o inverso, ou seja, Lucas julgou melhor sintetizá-la. Analise-se como quiser, é compreensível que, por seu caráter pedagógico, muito provavelmente Jesus a tivesse repetido várias vezes, sobretudo por ter querido deixar-nos um modelo perfeito de oração.

Se bem não haja o menor inconveniente em nos utilizarmos de longas orações, quis Jesus conceder-nos uma fórmula breve e universal, contendo logo de início um louvor a Deus que d’Ele aproxima quem reza, a fim de tornar solícita a audição das petições a serem feitas. Pela introdução da Oração Dominical nos é fácil perceber o quanto Deus é também sensível a uma “diplomacia” religiosa. Desejar a santificação do nome de Deus, não é senão querer que todos os homens O conheçam, adorem e sirvam com perfeição. E trata-se aqui de um nome sobre todos os nomes: “Pai”.

É de se notar a diferença de significado desta palavra “Pai”, entre o Antigo e o Novo Testamento. Até então, a referência à paternidade de Deus era um tanto metafórica, considerando-O como o Criador e com vistas a realçar sua providência sobre o povo judeu. A partir da Encarnação, esse termo revestiu-se de uma realidade profundíssima, quer pela natureza humana de Jesus, quer pela divina. E também no que toca a nós, batizados, pois, como afirma São João, somos filhos de Deus, “e realmente o somos” (1 Jo 3, 1). Por isso Nosso Senhor usava a expressão “meu Pai” — nesta oração, somente “Pai” na versão de São Lucas, ou “Pai nosso”, segundo São Mateus — com relação à verdadeira paternidade de Deus e filiação divina de todos os batizados. E o próprio Jesus nos advertiu: “A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é o vosso Pai, Aquele que está nos Céus” (Mt 23, 9).

Ora, o Batismo não só imprime em nossas almas o caráter de cristão e nos faz reais filhos de Deus pela graça, mas também nos introduz no reino de Deus, cuja plena participação de corpo e alma gloriosos se dará após o Juízo Final: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25, 34). Assim, o que era metáfora no Antigo Testamento tornou-se realidade com a Redenção.

3 - O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

Muitos autores do passado, em especial os Padres da Igreja, consideravam ser esta petição relativa à Eucaristia; hoje, porém, sem negar essa interpretação, admite-se ser ela mais especialmente voltada para se obter o alimento material.

4 - perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos os que nos ofendem; e não nos deixes cair em tentação.”

Comentando este versículo, São João Crisóstomo nos põe diante de uma situação inegável: “Conhecendo nós isto, devemos dar graças a nossos devedores, porque são para nós (se sabemos conhecê-lo assim) a causa de nosso maior perdão, e dando pouco, alcançamos muito; porque nós temos muitas e grandes dívidas para com Deus, e estaríamos perdidos se Ele nos pedisse uma pequena parte delas” (5).

Sobre as tentações, pondera Orígenes: “Deus não quer impor o bem, Ele quer seres livres... Para alguma coisa a tentação serve. Todos, com exceção de Deus, ignoram o que nossa alma recebeu de Deus, até nós mesmos. Mas a tentação o manifesta, para nos ensinar a conhecer-nos e, com isso, descobrir-nos na miséria e nos obrigar a dar graças pelos bens que a tentação nos manifestou” (6).

III — O amigo inoportuno

Retrocedamos dois mil anos de História, e analisemos de perto uma caravana avançando pelo deserto, sobre asnos ou camelos, em pleno dia ensolarado de tórrido verão. Poeira, sede, calor e cansaço são os companheiros a cada passo, tornando muito penosos os translados. Esta era uma das razões pelas quais os orientais muitas vezes preferiam os deslocamentos noturnos, invertendo o período do sono.

Pelo contrário, o inverno oferece condições mais agradáveis para viagens diurnas: o sol aquece suavemente, o desgaste físico é menor e a necessidade de água não tão freqüente. A parábola de hoje se verifica numa noite de verão.

Aqueles tempos possuíam costumes bem mais simplificados em relação aos atuais e, sem aviso prévio, um amigo podia se apresentar à porta a qualquer hora do dia ou da noite. Caso a visita se desse durante o horário do sono, bastava estender uma esteira num canto da sala, que o hóspede ficaria muito contente. Se sua fome fosse considerável, sobretudo no caso de não haver jantado, alguns pães com azeite de oliva e - especiarias, eram suficientes para torná-lo alegre e satisfazer-lhe o apetite.

As casas não eram grandes e nem com muitos cômodos. Em geral, toda a família se deitava na própria sala de visitas, cuja porta dava acesso direto à rua. Não imaginemos uma seqüência de camas, mas sim esteiras ou tapetes estendidos ao solo, com leves colchas. Portanto uns golpes à porta, ainda quando suaves, facilmente despertavam quem junto a ela dormia.

É de dentro dessa moldura que devemos assistir à cena narrada pelo Salvador.

5 - Disse-lhes mais: “Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, 6 - porque um meu amigo acaba de chegar à minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar;

Jesus sempre se apóia em fatos comuns e freqüentes da vida quotidiana para fazer entender aos seus ouvintes as profundas verdades da Fé. Portanto, o caso contido nestes versículos 5 a 8 provavelmente já se havia dado com vários dos circunstantes.

Devido à inteira organicidade do modo de ser daquela civilização, as pessoas procuravam aproveitar a luz do dia para seus afazeres e, quanto ao repouso, utilizavam para dormir as horas que iam desde o declínio ao nascer do sol. Por volta das nove da noite, o silêncio penetrava em todos os lares, chegando ao auge no período de meia-noite às três horas da madrugada. O “amigo” dessa parábola chega justamente na hora mais incômoda: é muito tarde para deitar-se e terrivelmente cedo para acordar. Mas, o inconveniente maior desse acontecimento estava no fato de não ter sobrado pão na despensa do anfitrião e a essas alturas não era mais possível matar um animal para levá-lo às brasas... A única saída era recorrer às reservas do vizinho.

O vilarejo inteiro se encontra submerso em profundo sono mas, logo às primeiras batidas, o dono da casa desperta e, sem se mover de sua esteira, ouve a demanda. Tratava-se de conceder três pães para quem estava à porta. Sobre o porquê de serem três, várias hipóteses tecem os autores, procurando atribuir sentidos simbólicos a este número. Na realidade, segundo os costumes da época, os pães tinham um tal tamanho que três faziam uma refeição normal de um adulto.

7 - e ele respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados — não me posso levantar para tos dar.

A situação descrita é constrangedora. Não se sabe de quem se deve ter mais pena, se do anfitrião ou do pai de família. Reportando-nos aos costumes de então, não cabe dúvida estar este último numa posição de maior incômodo, pois todos os seus se encontravam alinhados nos respectivos leitos e, para chegar à despensa, sem luz elétrica, ele precisaria despertar cada um ou, eventualmente, pisar sobre este ou aquele... Portanto, era conveniente levantarem-se todos para executar tal operação. Ora, com um tal diálogo a altas vozes, não deveria haver um só na posse de seu sono a essas alturas. Faltava, aos vizinhos já despertos, somente boa vontade. Tratava-se, da parte destes, de mais um caso típico de mescla de preguiça com egoísmo, aí sim, característica de todas as épocas. Entretanto, torna-se claríssimo pela parábola que, apesar de sua má vontade, o pai de família acabou por se levantar, devido à importuna insistência de seu vizinho, disposto a entregar a este quantos pães quisesse.

8 - Digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar.

Jesus quer nos convencer sobre a importância da perseverança na oração. Ademais, ensina-nos a não termos timidez ou receio em nossos pedidos a Deus. Evidentemente, no relacionamento humano, as regras de etiqueta e boa educação devem ser observadas sempre. Porém, não se pode ter a menor retração ao entrarmos em conversação com Deus. Neste caso as normas de polidez são contraproducentes, pois Ele quer a ousadia de nossa parte, Ele deseja ser importunado por nós e fará por nós muitíssimo mais do que o pai de família fez por seu vizinho.

De fato, Deus jamais se cansa e nem pode ser incomodado, não dorme e nem faz esforços para se despertar, e está com as portas sempre abertas para nos atender, pronto a nos ouvir durante as vinte e quatro horas do dia. Nunca se irrita e, muito pelo contrário, se alegra com nossa insistência. Quando nossa obstinação atingir o grau máximo de importunidade, aí teremos triunfado em nossa oração.

9 - Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 - Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá.

As metáforas contidas nestes versículos confirmam nossa fé no grande e infalível poder da oração. São o resumo de uma lei sobrenatural, síntese da infinita misericórdia do Sagrado Coração de Jesus, e infundem em nossas almas a segurança feita de luz, serenidade e paz.

11 - Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? 12 - Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, porventura dar-lhe-á um escorpião? 13 - Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem.”

Se os pais nesta terra de exílio, imperfeitos como são, jamais desejam o mal para seus respectivos filhos e sempre procuram dar-lhes do bom e do melhor, quanto mais Deus, o Bem substancial, no trato com aqueles a quem criou.

IV - Conclusão

A liturgia de hoje condensa em poucos versículos um verdadeiro tratado da oração. Nós devemos rezar sempre. Se Deus nos atende imediatamente, com alegria saibamos agradecer-Lhe, aproveitando-nos de sua infinita paternalidade nos submeta à prova da demora, jamais devemos desanimar, pois o viajante obteve sem tardança e dificuldade alimento e hospedagem de que necessitava, devido à amizade de seu anfitrião; e este, por sua pertinaz insistência, conseguiu os pães indispensáveis para atender a seu hóspede.

Enfim, tanto um quanto outro sairiam bem melhor servidos se pudessem ter recorrido a Maria, Mãe de Misericórdia, Medianeira de todas as graças.

  1. 1) Cf. Z.-C. Jourdain, Somme des grandeurs de Marie, livre I chapitre 3,
  2. 2) Suma Teológica III, q. 21, a. 4.
  3. 3) Suma Teológica II-II, q. 83, a. 11
  4. 4) in Cat. Graec. Patr., apud Catena Áurea, in Lc XI, 1-4.
  5. 5) in Cat. Graec. Patr., apud Catena Áurea, in Lc XI, 1-4.
  6. 6) De Oratione, 29, apud CIC, nº 2.847.
Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias

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