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Comentário ao Evangelho do 20º domingo do Tempo Comum
 

O verdadeiro alimento e a imortalidade
 

Um ano antes da Santa Ceia, Jesus anunciou a seus discípulos a instituição da Eucaristia. A surpreendente revelação despertou murmurações e celeuma entre os ouvintes. Entretanto, o Pão de vida eterna passou a ser a paz e a alegria dos corações que d’Ele se alimentam, além de inesgotável fonte de santificação.

Pe. João Clá Dias

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que Eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.

52 A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?

53 En­tão Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não te­ reis a vida em vós mesmos.

54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.

55 Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida.

56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele.

57 Assim como o Pai que me enviou vive em mim, e Eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.

58 Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram.

Quem come deste pão viverá eternamente (Jo 6, 51-58).
 

I — ANTECEDENTES

A DEVOÇÃO EUCARÍSTICA AO LONGO DOS SÉCULOS

Era de suma importância, não só para aqueles dias da Igreja nascente, mas para os tempos futuros, instruir os fiéis a propósito do mais substancioso dos sacramentos.

Essa transcendental missão dos Apóstolos foi acolhida por São João com muito zelo, piedade e ortodoxia. Dedicou ele todo o capítulo VI de seu Evangelho para tratar desse tão relevante tema, tornando acessível ao leitor a compreensão da sabedoria, esmero e eficácia do Divino Mestre em preparar o povo para crer, amar e desejar esse Sagrado Banquete que se constituiu, logo de início, no elemento essencial para fortalecer na virtude e perseverança os já batiza­dos.

Nos onze primeiros séculos da História da Igreja, a Eucaristia tornou-se o centro da vida sobrenatural dos fiéis, mas, fora do Santo Sacrifício, não recebia Ela nenhum culto público. Somente no século XII começam a aparecer pequenos tabernáculos e, fazendo face a algumas seitas heréticas que negavam a transubstanciação e a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento do altar, levantou-se um grande fervor eucarístico.

Certos costumes em relação ao Pão dos Anjos surgiram espontaneamente, outros foram instituídos por autoridades eclesiásticas como, por exemplo, a ordem emanada da Cátedra de Pedro, pelo Papa Gregório X (1271-1276), no sentido de todos se ajoelharem em adoração, durante as Missas, desde a Consagração até a Comunhão.

Instituição da festa de Corpus Christi

Um enorme incentivo à devoção eucarística surgiu no século XIII a propósito de um portentoso milagre. Em 1263, um sacerdote alemão que viajava para Roma deteve-se em Bolsena para celebrar a Santa Missa. Durante a mesma, implorou o auxílio de Deus para livrar-se das tentações postas pelo demônio contra sua fé na Sagrada Eucaristia. Qual não foi seu espanto quando, apenas pronunciadas as palavras da Consagração, verteram da Sagrada Hóstia gotas de sangue a ponto de umedecer completamente os corporais. O fato produziu uma verdadeira comoção popular e as referidas relíquias foram levadas à cidade de Orvieto, onde se encontrava o Papa Urbano IV. Eis a razão da existência do mais belo monumento em arquitetura policromada: a catedral gótica construída com o objetivo de acolher aqueles tecidos de linho embebidos pelo preciosíssimo sangue de Jesus Cristo.

No ano seguinte, Urbano IV promulgava a bula Transiturus, instituindo na Igreja Universal a festa de Corpus Christi, a ser celebrada com solenidade e júbilo todos os anos, na quinta-feira após a oitava de Pentecostes.
Por essa época surgiram também os mais belos cânticos eucarísticos como, por exemplo, Adoro te Devote, O Salutaris Hostia, Ave Verum Corpus, Ave Salus Mundi, etc. Em retribuição ao culto que Lhe prestavam, Jesus se manifestou com profusão de milagres eucarísticos: só na Alemanha houve mais de cem casos de hóstias sangrantes, entre os séculos XIII e XIV.

Os Papas recentes

Para não sermos prolixos relatando incontáveis episódios sobre o aumento do fervor eucarístico ao longo dos tempos, citemos apenas um: a extensão da Comunhão às crianças, no começo do século XX, realizada por São Pio X através do decreto Quam Singularis (1). Com este e dois outros que o precederam sobre o mesmo tema (2), o Santo Pontífice estimulava os fiéis a receberem o Pão dos Anjos com a maior freqüência possível: “O desejo de Jesus Cristo e da Igreja é que todos os fiéis se aproximem diariamente do Banquete Sagrado, cuja primeira finalidade não é garantir a honra e a reverência devidas ao Senhor, nem tampouco servir de prêmio ou recompensa para a virtude dos fiéis, mas sim fazer com que os fiéis, unidos a Deus por meio deste Sacramento, possam encontrar nele força para vencer os desejos da carne, alcançar o perdão das culpas leves cotidianas e evitar os pecados mais graves aos quais a fragilidade humana está inclinada” .

Por fim, João Paulo II nos ensina, em sua recente encíclica Ecclesia de Eucharistia, como “é da perpetuação do sacrifício da cruz na Eucaristia e da Comunhão do corpo e sangue de Cristo, de onde a Igreja tira a força espiritual de que necessita para levar a cabo a sua missão”. Ao longo desse belo documento, o Pontífice lembra e ratifica a doutrina eucarística dos grandes santos e concílios, como também recomenda “celebrar a Eucaristia num ambiente digno de tão grande mistério”, e ressalta os aspectos marianos deste Sacramento: “Maria é mulher ‘eucarística’ na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo” (3).

É nesta perspectiva histórica que devemos considerar o Evangelho de hoje.

II — O EVANGELHO

ANÁLISE E COMENTÁRIOS

51 Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que Eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.

Até o presente versículo, Jesus, em seus sermões e revelações, apresentava os efeitos produzidos por esse “pão” em todos os que dignamente d’Ele viessem a se alimentar. Aqui, entretanto, define a sua substância: não é só o “Pão da Vida” (4), mas o “Pão Vivo” (5), ou seja, contém a vida em si próprio. E realmente trata-se do “Pão” que “desceu do céu”, é o Verbo de Deus que “se fez carne e habitou entre nós” (6) para comunicar-nos “a vida que estava n’Ele” (7) “desde o principio” (8), ou seja, desde toda a eternidade. Há, portanto, uma vida eterna nesse “Pão Vivo”, conferindo, àquele que dele se alimenta, o dom de viver para sempre.

Mas, como ter parte nessa tão preciosa vida?

Nos tempos do Antigo Testamento, o modo de participar de um sacrifício consistia em comer da vítima oferecida (9). Esta realidade transparece claramente na primeira epístola de São Paulo aos coríntios, na qual, com seu incansável zelo apostólico, não só os adverte a fugirem da idolatria, mas procura incentivá-los a dela se afastarem: “Considerai Israel segundo a carne: os que comem das vítimas, porventura não têm parte no altar? Mas que digo? Digo que o que foi sacrificado aos ídolos é alguma coisa? Ou que o ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. Ora, não quero que tenhais parte com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (10).

Em sua infinita sabedoria, aceitou Deus, desde os primórdios da antiguidade, o cerimonial do oferecimento de vítimas e o modo de participar do sacrifício, com o intuito de preparar os homens para receber os benefícios da imolação do Cordeiro de Deus, d’Aquele que tira os pecados do mundo.

E Jesus, com um ano de antecedência, anuncia que dará a Santa Eucaristia, sob as espécies de pão e de vinho, e afirma ser esse pão sua “carne para salvação do mundo”.

Para entender bem o conteúdo deste versículo, devemos nos lembrar que, segundo o conceito judaico daqueles tempos, carne e sangue designavam o homem completo; ora, de qual carne se trata aqui? Da carne de Cristo, carne crucificada e imolada para “salvação do mundo”. Eis o caráter sacrifical da Eucaristia subentendido nessa afirmação de Jesus.

Vimos pouco acima como naquela atmosfera semítica — e até mesmo greco-romana — comia-se a vítima oferecida em sacrifício e dessa forma se participava do mesmo. Pois este é o objetivo essencial de São João no presente versículo, ou seja, o de acentuar o efeito redentor e universal da morte de Jesus, em benefício do mundo.

52 A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?
 

Este anúncio de Jesus é de um radicalismo mais categórico do que as revelações feitas por Ele anteriormente, pois podia ser interpretado como pos­suindo um certo caráter de antropofagia, daí o ter produzido não mais mera murmuração (11), mas verdadeira celeuma. A reação dos escribas e fariseus continha uma enérgica censura à promessa de Jesus, recusando-se a comer a carne d’Ele, por considerá-la uma proposta descabida e atentatória à lei e aos costumes.
 

Não deixa de ser curioso notar o quanto a atitude daqueles incrédulos prenunciava o racionalismo de nossa era!
 

53 Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos.

Diante do fervilhar da disputa, Jesus, ao invés de atenuar sua afirmação, a reforça, utilizando-se de um como que juramento — “em verdade” — a fim de torná-la ainda mais clara e contundente. Para possuir essa vida, é indispensável “comer a carne” e “beber o sangue” de Cristo.

A condição não poderia ser expressa com maior clareza, não cabendo de maneira alguma qualquer interpretação metafórica. Trata-se de uma descrição inteiramente objetiva. Tanto mais que São João escreveu seu Evangelho por volta da década de 90, quando a Eucaristia era o cerne da vida da Igreja, participada por todos os fiéis que constituíam o objetivo primordial de sua narração. Já no ano 56, São Paulo, ao se dirigir aos Coríntios, deixara um precioso documento de quanto estava assente entre todos a realidade da presença de Cristo no Sacramento do Altar: “Falo como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que eu digo. Porventura o cálice de bênção que aben­çoamos não é comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos não é comunhão do corpo do Senhor?” (12).

O realismo eucarístico desse versículo encontra-se bem enunciado por São João Crisóstomo: “E como diziam que isto era impossível, isto é, que desse a comer sua própria carne, deu-lhes a entender que não só não era impossível, senão muito necessário; por isto continua: ‘em verdade, em verdade vos digo que se não comerdes a carne...’, etc. Como que dizendo: de que modo se dá, e como deve comer-se este pão, vós não o sabeis; mas se não o comerdes, não tereis Vida em vós” (13).

54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.

Este versículo especifica o tipo de vida dado a quem comer a carne e beber o sangue de Cristo; trata-se nada mais nada menos que da visão beatífica.

Incorporados a Cristo pelo Batismo, necessitamos ser alimentados por seu sangue e por sua carne para desenvolver, rumo à plenitude, nossa vida divina — e, portanto, eterna.
Por sua vez, poderia parecer estar prometendo Jesus a imortalidade para quem comesse sua carne e bebesse seu sangue, e daí o acrescentar: “Eu o ressuscitarei no último dia”.

55 Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida.
 

Vê-se aqui o empenho de São João em evitar a menor dúvida sobre a presença real do corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia. Sempre imbuído de uma chamejante virtude da fé, desejava ele en­tregar aos séculos futuros seu inconteste depoimento do que ouvira sobre o mais importante dos Sa­cramentos. Daí o repetir um conceito já enunciado.

56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele.

Em nossa vida humana, o alimento é essencial para nosso crescimento, manutenção e saúde. Deus assim o dispôs para, entre outras razões, dar ao nosso entendimento um símbolo dos efeitos da Eucaristia. Produz esta na alma de quem a recebe algo análogo à assimilação do alimento pelo organismo humano. Não através de uma simples permanência física, mas por meio de um relacionamento íntimo e uma união estreitíssima. Ao longo do Evangelho de São João, encontramos várias referências de Jesus a essa permanência mútua (14).
 

57 Assim como o Pai que me enviou vive em mim, e Eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.

O próprio autor e fonte da vida se entrega a nós como alimento para nos sustentar. Seu corpo, sangue, alma e divindade, como verdadeira comida e bebida, desenvolvem em nós a vida sobrenatural começada pelo Batismo (15). Da mesma maneira pela qual Jesus recebe a vida do Pai, nós a recebemos do Filho como de fonte e princípio.

Ora essa vida nos é concedida pela Graça, e sem a conhecermos não compreenderemos o presente versículo. Procuremos sintetizar em poucas palavras essa realidade infinita:
“O dom da graça excede o poder da natureza criada, porque não é outra coisa senão uma participação da natureza divina, a qual supera qualquer outra natureza. Por conseguinte, é impossível a uma criatura produzir a graça, como é impossível que algo que não seja fogo queime. Portanto, é necessário que somente Deus divinize, comunicando a união da natureza divina por certa participação de semelhança” (16).
 

Comentando esta passagem de São Tomás de Aquino, assim se exprime o famoso Pe. Royo Marín: “A graça é uma verdadeira qualidade habitual que modifica acidentalmente a alma que a recebe, tornando-a ‘deiforme’, ou seja, semelhante a Deus, ao comunicar-lhe uma participação de sua própria natureza divina” (17).
 

Nesta mesma obra, o Pe. Royo nos fornece os elementos para melhor compreendermos a pulcritude contida no versículo em questão: “Entre os maravilhosos efeitos que produz em nós a graça santificante, há um que excede infinitamente a própria graça: a inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo (...) A graça, com efeito, nos dá uma participação criada da natureza incriada de Deus. Mas a inabitação divina — absolutamente inseparável da graça santificante — nos dá o mesmíssimo Deus, ou seja, a mesma realidade incriada que constitui a própria essência de Deus” (18).
 

Por fim, conclui o grande teólogo dominicano: “No cristão, a inabitação equivale à união hipostática na pessoa de Cristo, embora não seja ela, mas a graça santificante, que nos constitui formalmente filhos adotivos de Deus. A graça santificante penetra e embebe formalmente nossa alma, divinizando-a. Mas a divina inabitação é como a encarnação, em nossas almas, do absolutamente divino: do próprio ser de Deus tal como é em si mesmo, uno em essência e trino em pessoas” (19).
 

Essa participação na vida divina se inicia com o Batismo mas atinge sua perfeição com a Eucaristia que não só conserva e aumenta em nós a virtude da caridade, assemelhando-nos a Jesus, mas também nos estimula à prática da mesma: “O efeito deste sacramento é a caridade, não só enquanto hábito, mas também enquanto ato, pois ela é por ele estimulado” (20).
 

No amplo firmamento da Igreja, quase não há santo que não tenha se pronunciado sobre os grandiosos efeitos deste Sacramento. Recordemos dois deles:
 

— Santo Agostinho (Confissões, VIII, 9): “Sou manjar de robustos. Cresce e me receberás e não me mudarás a mim em ti, qual farias com uma comida corporal, senão que tu te mudarás em mim”.
 

— São Leão Magno (Sermão 14, da Paixão): “Não faz outra coisa a participação do corpo e do sangue de Cristo, senão transformar-nos no que comemos”.
 

Eis alguns elementos para se entender a afirmação de Jesus: “aquele que come a minha carne viverá por mim”.

58 Este é o pão que desceu do Céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.
 

Insiste o Divino Mestre, devido à dureza de coração daqueles que o rodeavam. Explica, por comparação, a excelsitude do pão eucarístico. Quantos judeus se haviam beneficiado do maná ao longo dos quarenta anos de travessia do deserto e, entretanto, se condenaram eternamente! Jesus promete aos que se alimentarem desse Sacramento, nas condições exigidas, a própria vida eterna, a participação na vida e gozo da Santíssima Trindade.

III — CONCLUSÃO

PAZ E CONSOLAÇÃO PARA OS QUE SOFREM
 

Considerações sobre a Eucaristia poderiam ser escritas a ponto de tornarem pequenos os espaços de todas as bibliotecas do mundo. Focalizemos apenas mais uma delas: a paz e a consolação oriundas deste tão sublime Sacramento.
 

São Tomás demonstra o quanto constitui um vício o fato de deixar a tristeza apoderar-se de nossos corações, a ponto de perturbar o uso da razão. Ora, vivendo nesta fase histórica tão penetrada pela angústia, drama e aflição, não erramos em afirmar ser a tristeza a nota tônica de nossos dias. Onde, então, obter o consolo e alegria de coração? Tanto mais que o buscar alívio é um fenômeno natural e espontâneo, uma reação psicológica de toda alma oprimida.
 

Quem não procura apoiar-se nas criaturas — sejam elas parentes, amigos, diversões — para só falar nas que estão dentro dos limites da liceidade moral? Mas, o apegar-se às criaturas é preparar novas e amargas desilusões.
É no Tabernáculo, na Eucaristia, onde verdadeiramente podemos encontrar o júbilo tão ansiado por nossos corações. Foi Jesus quem afirmou: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e Eu vos aliviarei” (21). O único conforto está em Deus e é por isso que, sobre nossa vida no Céu, o Apocalipse diz: “Não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem mais dor” (22), porque o próprio Deus enxugará as lágrimas de seu povo.
Aproximemo-nos pois, freqüentemente, da mesa da Comunhão, sempre por meio de Maria, e seremos os entes mais felizes dentre todos. ²

1) De 15 de agosto de 1910.
2) De 20 de dezembro de 1905 e de 7 de dezembro de 1906.
3) Ecclesia de Eucharistia, 17 de abril de 2003, 22 e 53.
4) Jo 6, 48.
5) Jo 6, 51.
6) Jo 1, 14.
7) Jo 1, 4.
8) Jo 1, 1.
9) Assim se exprime o Doutor Angélico sobre essa importante matéria: “Todo aquele que oferece um sacrifício deve dele participar, porque o sacrifício que se oferece exteriormente é sinal do sacrifício interior, pelo qual a própria pessoa se entrega a Deus, como diz Santo Agostinho. Assim, quem participa do sacrifício exterior demonstra que oferece também o sacrifício interior.Além disto, quem distribui aos fiéis o sacrifício manifesta-se como dispensador das coisas divinas ao povo. Ele, porém, deve recebê-lo primeiro, como diz São Dionísio: (...) ‘Que sacrifício será aquele do qual não seja participante o sacrificador?’ Faz-se participante quando dele come, conforme diz o Apóstolo (1 Cor 10, 18): ‘Não são porventura partícipes do altar aqueles que comem as vítimas?’” (Suma Teológica III, q 82, a 4c).
10) I Cor 10, 18-21.
11) Cf. Jo 6, 41.
12) I Cor 10, 15 e 16.
13) Homilias sobre o Evangelho de São João, 47, apud Catena Áurea.
14) Cf. Jo 14, 20; 15, 4-5; 17, 21; etc.
15) O Batismo nos confere a Graça, enquanto que “é ofício da Eucaristia santificar a alma e o corpo” (São Clemente de Alexandria, Paidagogos II 2).
16) Suma Teológica, I-II, 112, 1.
17) Fr. Antônio Royo Marín OP, Somos hijos de Dios, BAC, Madrid, 1977, p. 14.
18) Idem, p. 42.
19) Idem, p. 48.
20) Summa Theologica, III, q. 79, a. 4.
21) Mt 11, 28.
22) Ap 21, 4.

Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias

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